O desconectado

social-buster[1]

Era 2017. Jaime ainda não tinha nenhuma rede social.

Todos seus parentes já tinham ao menos aquele Facebook básico. Sua mãe compartilhava mensagens de bom dia para as amigas e também no grupo de Whats app. Como toda mãe padrão. Vem de fábrica. Você vira mãe, você compartilha foto de motivação de manhã. Divaguei.

Resumindo: Jaime nem celular tinha. Nada. Nadica de nada. Não. Nem isso que você pensou. Nem.

Quando era perguntado pelos amigos ou familiares sobre, ele sempre respondia:

– Prefiro tête-à-tête.

Jaime ligava para os amigos de telefone fixo para telefone fixo. Quando a pessoa não tinha, ele ia até a casa e tocava a campainha. Quando a pessoa não tinha campainha, Jaime gritava do meio da rua, chamando o alvo para a conversa.

E foi assim durante anos. Jaime simplesmente incomunicável por meios modernos e os amigos tentando fazer o feliz rapaz mudar de ideia. Sem sucesso.

– Prefiro tête-à-tête.

Ao fazer 27 anos, Jaime amoleceu e fez um e-mail do Bol. Prometia para os amigos que usaria o computador da sua avó para ler as mensagens, mas nunca fazia. Jaime estava perdendo contato com algumas pessoas que só usavam internet. O que fez com que os amigos se reunissem para discutir seriamente a situação de Jaime.

Nessa reunião, foi decidido que forçariam o desconectado a usar as maravilhas do mundo moderno. Comprariam um celular de última geração. Um computador de trinta mil reais. Um tablet. Um isqueiro com wi-fi. E um Fidget Spinner. E assim o fizeram.

O encontro final foi na casa de Jaime. Com o consentimento de sua mãe, que tuitou chamando toda a vizinhança. E como ela era cheia de seguidores, a casa lotou. Muitas pessoas forçando Jaime a usar os presentes que os amigos deram. Todos querendo que Jaime usasse a internet e as redes sociais.

– Mas galera, eu prefiro o tête-à-tête. Essas coisas tiram o gostinho da vida.

Não adiantou. Horas se passaram e Jaime concordou que era hora de se render a sabedoria da maioria. O conhecimento de milhares. A razão da multidão.

Dez dias se passaram. 

Jaime perdeu a namorada de dez anos em uma briga no Facebook, porque ele curtiu a foto da Clarinha da rua de trás. Depois brigou com a mãe e saiu de casa, porque deu RT em um tuite da mãe do Fábio, a qual ela não se bica.

Logo depois disso, Jaime se suicidou ao ver o Instagram por três dias e constatar que a vida de todo mundo é perfeita, maravilhosa e que todas as pessoas são lindas e não têm defeitos. Sua vida era muito abaixo do padrão, ele concluiu. A foto mais empolgante que ele tinha postado era a dele fazendo a barba.

No enterro de Jaime, todos que estavam tête-à-tête foram unânimes: Ele não aguentou ficar sem internet por tanto tempo que se matou. Suicídio atrasado.

Moral da história: Nenhuma. Só peço perdão por ter usado a versão aportuguesada das palavras relacionadas ao Twitter. Me desculpem.

 

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Invi Zíver – Política

main@2x

Adivinha quem está aqui? Sou eu! Ou não. Posso estar mentindo. Mas posso falar a verdade também. Você decide se vai acreditar. Invi Zíver é o meu nome. Ao menos eu ainda acho que é. E tenho muitas histórias contadas. Essa é uma delas. Leia as anteriores se possível. Boas histórias.

Sou um ninja aposentado pelo INSS. Sim, acredite. Mas como esse salário que ganho de aposentado que não paga a comida do gato do governador, tive que voltar a ativa. Aluguei um escritório na Praça da Sé. O local vai mal. Mas foi tombado como patrimônio histórico. Em breve vai ser tombado pelo vento.

Eu estava acariciando as paredes do prédio onde meu escritório fica, para ver se elas durariam mais se fossem tratadas com respeito. Tenho conhecimento de engenharia. Li no jornal que ela existe. Mas naquele exato momento, Adelaide, que é a faxineira do local, me chama da janela. Não ouvi direito. Aparentemente uma cliente. Na minha sala. Algo não está certo. O ar quase sempre está lá. Clientes, nem tanto.

Depois de subir as escadas com velocidade, cheguei ao meu escritório. A cliente estava deitada no chão. Morta? Não. Estava dormindo. Fiquei meio bravo pela falta de decoro. Afinal, só demorei duas horas para subir os dois lances de escada. Foi quase meu recorde. Eu estava arfante.

Lavei o rosto para tentar me livrar da cara cansada. Me sugeriram uma plástica. Tive que pedir água emprestada para a Adelaide. Utilizei o balde de limpeza dela. Balde de limpeza deve ser limpo. Mesmo com aquele cheiro estranho. Sou prático e higiênico. Anote isso.

Recuperei o fôlego, acordei-a e ela se colocou de pé. Falar que ela se levantou seria de um eufemismo extremo. Era uma mulher que não se levantava. Ela soerguia-se imponentemente mirando o azul celestial. Era mais alta do que eu. O que não era difícil. Fazia muito tempo que meu pico de altura havia passado. Agora é tudo pra baixo. Menos o prédio. Desse eu cuido com carinho. Nunca irá cair. Engenharia. Sou engenhoso.

 Mas quando ela falou, meu mundo desabou. Menos o prédio.

– Você é o ninja especial do qual ouvi falar? – Disse ela, entre dentes. Sibilando na minha mente. Ou era algo parecido. Não sei o que significa sibilar. Ou mente.

– Sim, sou o próprio. Sou especial como o ar. Saio voando e sou invisível. –  Respondi deixando no ar a última parte. Acho que fui muito bem. Ela parece ter amado meu tom de voz mordaz. Aquela água do balde estava com uma textura estranha.

– Vim diretamente de Brasília. Sou de uma organização secreta. Temos um plano e precisamos de você. – Ela disse isso com as pernas em volta do meu pescoço. Mas essa parte eu acho que não aconteceu.

Depois de alguma conversa, deixei claro que era perito na arte de ser ninja. E ela acreditou. Mostrei meu pagamento do INSS. Ela se espantou e constatou que só um ninja viveria assim. Me contratou. Sempre dá certo. Fingir ser pobre sempre dá certo. Ainda mais quando é verdade.

Resumindo: Ela era de uma organização chamada “Os nove dedos”. Minha missão era procurar e matar o presidente atual do Brasil. Michel Temer. Deixou claro que a organização poderia me fornecer armas e vento estocado. Recusei. Tenho minhas próprias armas. Juro pela firmeza desse apartamento. Quando jurei dei um tapinha na parede. Caiu um pouco de cimento no chão. Adelaide ficou com cara feia. Achei melhor sair antes que me jogue mais daquela água.

Logo que sai, coloquei minha roupa nova de ninja. Comprei uma. Parei de pagar o aluguel em Itaquera e agora durmo no escritório. Tive que vender todos os móveis para pagar o atraso. Mas não me é estranho dormir no chão. Não sinto nada. As dores já se cansaram de mim.

Ao pegar o avião para Brasília, percebi pessoas olhando de soslaio para mim. Com certeza não era pelo fato de eu estar vestido de ninja em um avião comercial. Com certeza eram assassinos bem treinados querendo me matar. Sou inteligente. Sei dessa coisas. Sou ninja desde que seu avô batia bafo. Por isso fiz o mais prudente. Sai do avião e peguei um ônibus. No ônibus ainda estavam me olhando. Mas eu poderia saltar da janela, ao menos. Na faculdade de engenharia não ensinam isso. Anote. Tenho caneta.

Depois de alguns dias de viagem, cheguei na capital brasileira. Fui até o Palácio do Planalto. Era quarta-feira. Me disseram que o presidente não trabalhava nesse dia. Claro. A pessoa mais importante do país não precisa trabalhar de quarta-feira. Que homem das cavernas sou eu. Anotei.

Perguntei em todas as esquinas e ninguém tinha visto o Temer. Era como se tivesse sumido. Encontrei alguns dos associados da “Os 9 dedos” e eles também não sabiam. Fui até a casa do presidente. Algumas pessoas na entrada estavam gritando “Fora Temer” com cartazes e faixas. Perguntei para o mordomo onde ele estava. Ele me disse que ele estava fora. Fora do país. De viagem em Cancún. Fiquei desolado. Não tinha ônibus para Cancún na rodoviária. Pelo visto Cancún não é no Brasil.

Minutos depois, um mensageiro de São Paulo chegou esbaforido e me entregou uma carta. Sim, a carta chegou exatamente nesse momento. Era da Adelaide. Me contando toda a verdade da situação.

A água na qual eu lavei o rosto, era veneno de rato especial para matar elefantes. A mulher que estava no chão do escritório era um cadáver que foi encontrado ali na madrugada. Provavelmente uma usuária de drogas. Depois que o veneno entrou no meu corpo, eu imaginei todo o resto. Nada daquilo era real. Nem a cliente, nem o caso. Eu viajei a toa para Brasília.

Voltei para São Paulo o mais rápido que pude. De ônibus. Cheguei no escritório e vi Adelaide limpando o chão, com a cara séria ao me ver, mas os olhos dançando de alegria. Só ignorei. Sou desses. Orgulhoso.

Tive que vender a mesa e o telefone quebrado para pagar a viagem. Meu escritório ficou literalmente  vazio. Vendi todo o vento de dentro para estocarem. Pedi mais um pouco do veneno de rato especial para a Adelaide. Tomei um banho de balde. Comecei a imaginar coisas. Um telefone que funciona. Uma Mesa. Cadeira. Clientes. Um luxo.

É disso que estou falando!

 

Dilúvio na Zona Leste

arca

É 2017. Deus (ele mesmo, o criador) ficou descontente com o mundo. Sabe como é, né? Muita maldade, assassinatos, estupros, guerras, racismo, gamers e política. Não dava mais para suportar.

Em uma de suas reuniões com a galera do conselho celeste, resolveu inundar o planeta novamente, para deixar somente um casal de coração puro para recomeçar a raça humana. Aquela história de sempre.

Muitas pesquisas foram feitas para se achar a pessoa ideal para o contato. Para fazer a grande Arca, coletar os animais e essas coisas. Depois de apenas alguns dias, o escolhido já estava decidido. Sem sombra de dúvidas seria o Valdir, humilde morador de 21 anos da Zona Leste de São Paulo, no Brasil.

Não havia a menor dúvida lá no firmamento. Todas as pesquisas e os equipamentos comprados para testar a bondade apontaram para Valdir. Deus não perdeu tempo e desceu até Itaquera. Bateu na porta da casa do rapaz:

– Toc toc toc. Oh oh Oh oh. (Barulho de luz divina).

– Quem é essas hora? E essas luz ae? É duas da manhã nego, nois trampa amanhã – gritou Valdir, lá de dentro.

No momento em que o rapaz abre a porta, Deus logo começa a falar:

– Valdir, meu filho. Tenho uma grandiosa e importante missão para você.

– Filho? Qualé barbudo? Meu pai morreu tem uns meis já – respondeu Valdir, que usava um óculos escuros por causa da luz divina. Comprou no Brás. Três por dez.

– Você não entendeu, meu querido filho. Eu sou Deus!

– Ah, devia ter falado logo parça. Minha mãe nunca foi dessas vagaba. Meu pai morreu aê e ela só trouxe uns dezoito nego aqui pra goma. Achei que você era um dos mais antigo.

– Valdir, vamos nos concentrar em sua missão. Correto?

– Vish truta, vo ganhar uma grana nisso ae? Porque trabalhá de graça cê tá tirando né?

– Construirás uma arca e ficarás vivo das águas que enviarei. Igual fez Noé, tempos atrás.

– Que fita hein truta? Já ouvi essa história aê. Se vai mesmo matar geral? Afogando a galera? E os bixo que avoa? Eu curto aqueles passarinho vermelho manja? Sabe qualé? Curto aquele lá. Mata ele não.

– Os pássaros morrerão de fome ou durante a tempestade. Veja bem meu filho, você precisará arrumar uma fêmea humana e mais dois animais de cada sexo para recriarmos tudo.

– Se é assim então acho que vo levá a Creide. Baita duma gostosa, manja Deus? Ah, se vê tudo né safado? Como é ela tomando banho? Fala não. Vo ver isso na Arca. É nois!

– Não estás levando a sério a missão, Valdir? Cabrum! (Som de trovão).

– Você é Deus manja?  Podia ter mandado um raio de verdade, sem imitar um com a boca. Ficou meio zoado, só falando aê.

Deus, boquiaberto com a desenvoltura do rapaz da zona leste, suspirou fundo e continuou:

– Farás o que peço, Valdir Ney dos Santos?

– Eu até faço sua majestade, mas…

– Divindade.

– Ahn?

– Esquece Valdir, termina o que estavas a falar.

– Então, cê disse pra pegar um macho e uma fêmea de cada espécie certo? Mas ai complica cas minha vida.

– Mas por que, meu querido filho? Estou te dando a oportunidade que todos queriam.

– Tô ligado. Meus truta tão sempre querendo matar geral também. Mas é que hoje em dia nos século dois mil e dezessete aê, a galera tem mais de um sexo, manja?

– Sim, eu sei que existem homossexuais, bissexuais e outros. Mas como poderíamos resolver esse problema? Tens alguma sugestão?

– Pô, se colocar só um truta e uma mina, vão reclamar. Se colocar dois homo do sexo como você disse ai, tem gente que vai reclamar. Textão no facebook manja? Chatão. Se colocar travesti, drag e essas coisa aê, vão ficar de mimimi. Passeata na paulista, fechar as rua tudo e a Arca nem vai passar.

– Mas não é possível que meus filhos se incomodam com coisas tão pequenas!

– Qualé barbudo? Não tá vendo tudo lá das nuvem? Se eu colocar só um pato homem e um pato mulher, vai ter nego pichando a Arca em prol das diversidade tuda. Mó treta. Vai ter que ter de pato travesti até pato que vota no Bolsonaro. Senão a galera fica louca…

Deus e Valdir conversaram por mais duas horas sobre as coisas. Ali, na porta da casa do Valdir. Tomaram enquadro policial, riram, beberam e, no final das contas, Deus desistiu de refazer o dilúvio. Muito complicado.

– Falô aê Valdirzones.

– Falô ae barba, é nois.

– Aperto na nádega.

 

 

Clubinho

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Vilma chegou no clubinho e recebeu um olá de todos. Sentou-se ao lado do Laércio. As conversas de hoje iriam começar.

Todos os dias, a garotada ia brincar de ser adulto na casa abandonada da rua de trás. Fundaram um clube, um clubinho, para conversarem, jogarem e plantarem qualquer coisa no quintal desarrumado daquela casa, há tanto tempo abandonada.

Mas naquele dia em especial, nada disso seria feito. Iriam eleger o líder. A criança que seria eleita para comandar os outros sete. Eleição que não teria porque acontecer, já que tudo ocorria as mil maravilhas. Mas ontem o Lucas brigou com a Helen por causa de uma florzinha que brotou no chão quebrado da casa. Então uma liderança era necessária. Urgente.

Os dois que se candidataram foram Vilma e Laércio. Na verdade, outros se candidataram, mas como não eram populares, foram esquecidos rapidamente.

No meio da conversa, Vilma disse que, se eleita líder do clubinho, deixaria as flores e os feijões plantados, para todo mundo. Qualquer um poderia pegar a hora que quisesse.

Já Laércio não concordava com isso. Para ele, as flores e os feijões deveriam ir para quem merecesse ganhar. Merecimento esse que ele mal sabia explicar como funcionaria.

Os outros candidatos, que tinham ideias diferentes, tiveram cinco segundos para falar, mas nenhum conseguiu terminar o próprio nome a tempo. Em suma, todos ficaram quietinhos ouvindo. Não tinham como competir com os dois mais populares da rua. Laércio filho de pais ricos, sempre bem vestido e educado. Vilma sempre amigável e defensora de todos.

Renatinho, um dos que não havia dito nada, se levantou e começou a falar o que faria se fosse o líder. Mas logo foi silenciado por todos, por estar se metendo onde não se deve. Ou ele pensava de um jeito, ou de outro. Que absurdo Renatinho! Ter uma terceira ideia! Que absurdo!

Em pouco tempo de conversa, as oito crianças se dividiram em dois grupos. Três ao lado de Vilma e três ao lado do Laércio. E não tardou para as brigas começarem. Insultos, palavras feias e fim de amizades. O clubinho estava rachado. Vilma e Laércio não deram o braço a torcer. Levaram seus eleitores para o próprio quintal de suas respectivas casas.

No quintal da casa da Vilma, eles traçavam planos infalíveis para derrubar Laércio e amigos. Já no quintal de Laércio, faziam exatamente o mesmo. Planos e mais planos para derrubarem Vilma e sua trupe.

Renatinho, que estava na casa de Vilma, tentou levantar o fato de que, com toda essa discussão, o clubinho já não existia mais. Então, não teria sentido brigar. Mas foi silenciado pelo restante e tratado como idiota.

Ninguém na verdade, sabia que Vilma e Laércio se encontravam no clubinho secretamente, depois da dissolução do clube, para colher as flores e plantar feijões. Só os dois. Ambos riam e se divertiam, com tudo somente para eles. Mas voltavam a fingir a briga, na frente dos outros, para manter a aparência e o clubinho só pra eles.

As crianças nunca mais se reuniram. Nem na adolescência, nem na vida adulta. Separados em dois grupos, sem conversa, sem amizades, sem feijões e nem flores.

É.

A nossa grande sorte, é que esse tipo de coisa sem nexo só acontece com as crianças.

 

Papo Furado

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– Opa!

– Opa!

– Trânsito hoje, não?

– É. Complicado.

– E esse tempo hein?

– Calor né?

– É.

– Como vai a família?

– Bem. E a sua?

– Também.

– Mengão ontem hein? Três a zero.

– Legal.

– Viu a última da playboy?

– Não.

– É, eu também não.

– E esse Lula hein?

– Aécio também.

– Tudo igual esses políticos.

– É.

– Trabalhando muito?

– Sim. E você?

– Também.

– O país tá uma merda.

– Sim.

– E esse calor hein?

– Muito.

– Dizem que amanhã vai esfriar.

– É.

– Devíamos nos ver mais.

– Verdade.

– Combinamos de sair então?

– Sim.

– Abraço.

– Abraço.

E nunca mais se viram.

Charles Darwin se vira ligeiramente em seu caixão. Fim.

A Terra é plana

planetas[1]

 

Você sabe que a palavra “Planeta” existe porque o nosso mundo é plano? Que se fosse realmente redondo, seria “redondeta” a palavra adotada?

Sim. Estamos sozinhos no universo. É o que diz a internet nos últimos tempos. E se a internet diz, quem é a NASA e o governo americano para desmentir?

NASA esta, que por sua vez, encobre a maior farsa da história da humanidade. Algo que me enganou toda a vida. Meus pais, avós e até o Sílvio. A ida a Lua é fichinha perto disso: A Terra é plana.

Pesquisadores da maior página do Facebook sobre o assunto, chegaram a conclusão de que, além de ser plano,  o planeta é cercado de gelo. Uma muralha gigante, que é o polo sul, nos impede de cair no infinito do inferno.

É claro! Estava na nossa cara todo o tempo! Segundo os que acreditam que a terra é redonda (chamaremos a partir de agora de “globais”), o planeta gira a mais de 1.500 quilômetros por hora, mas se jogarmos uma maçã para cima, ela não viaja pro outro lado do mundo. Ela cai no mesmo lugar. É óbvio!  Porque não estamos rodando! Estamos parados, num planeta achatado e cercado de gelo.

Os globais também dizem que acima de nós tem o universo. Sistemas solares, galáxias e trilhões de planetas. Mas nunca ninguém foi em nenhum desses planetas e trouxe um pouquinho de terra. Ninguém chegou num gigante gasoso e empacotou um pouco de gás. Mesmo com a eficácia que o governo Dilma teve em estocar o ar. Sei.

Mas a teoria da terra plana é muito mais consistente que isso. Vejam só: O planeta é fechado não somente dos lados. Mas acima de nossas cabeças também. Estamos numa espécie de domo com estrelas, lua e sol dentro dele. Acima desse domo, temos água e o paraíso. O domo, logicamente, é impenetrável, então ninguém nunca vai saber o que tem acima. Já jogaram umas biribinhas lá e, realmente, é indestrutível.

Já abaixo da Terra, temos o inferno. Mas não temos como chegar, devido a uma forte camada que nada consegue atravessar. Já que nunca ninguém conseguiu cavar um buraco na América e sair na Ásia, essa afirmação colabora ainda mais a favor dos Terracentristas. Os corretos. Os bonzinhos…

Tudo isso é muito claro. A NASA, o governo americano e a ONU vem nos iludindo há muitas décadas. Não há outros planetas. É tudo computação gráfica. Se existirem, também serão planos. Não tem a menos condição de um planeta ser redondo, se um avião anda em linha reta e não adentra o universo sem querer. Tem sentido.

Os globais afirmam que o sol tem a massa muito grande. Que ele tem a força gravitacional da minha tia Lucélia fora da dieta. E mesmo assim, o sol não consegue tirar a lua da nossa órbita. Por que será? Deve ser porque o sol é bem menor que a Terra e está dentro da nossa órbita, ué. Simples de entender. Até uma criança de cinco anos entenderia. Os astrofísicos da página no Facebook esclareceram isso diretamente para mim hoje.

Tsc, tsc. Essa Nasa é chata, hein?

É importante ressaltar também, que como não existem outros planetas, também não existem alienígenas. Todas as histórias de naves e seres de outros planetas foram plantadas pela NASA ou, na maioria das vezes, eram demônios do inferno brincando aqui na parte de cima. Plausível.

Se você, leitor, não acredita em mim e ainda quer continuar a ser manipulado pela NASA, governo americano, ONU e pela Globo (sim, a globo tem esse nome justamente para enganar mais ainda o povão), pode continuar a sua vida. Mas convido você a dar uma olhada em qualquer site de busca e se aprofundar no assunto. Mas não se aprofunde muito, porque ao contrário dos nossos amigos, sabemos que ali não tem o centro da Terra, e sim, o inferno.

A conclusão é simples: Como pode existir o nada, se o nada é nada? Então ele não existe. Se o nada não existe, então não podemos chamar o nada de nada. Logo, a Terra é plana.

Nicolau Copérnico e Galileu Galilei, dois fanfarrões associados à Globo. Willian Bonner sabe de tudo também. Ele que está liderando a página no Facebook. A nossa vida nunca mais será a mesma.

Planeta.

O começo

planetas

A vida no planeta ficou insuportável. Algo parecido com falta de água e crise de sede no país mais populoso.

As melhores mentes do mundo trabalharam em conjunto para achar a solução perfeita para salvar a raça humana e alguns animais fofinhos. Depois de alguns meses, a grande resolução foi anunciada:

Todos os habitantes iriam se dirigir para quatro planetas distintos, próximos um do outro. Um planeta para o povo de exatas, outro pra galera de humanas e o terceiro pro povo de biológicas. O quarto planeta seria para ladrões, assassinos e laranjas. A escória em geral.

E assim foi feito. Depois de alguns anos, todos estavam realocados em seus respectivos planetas. E assim que chegaram, cada parte foi decidindo o nome da nova casa.

O povo de biológicas acabou dando o nome do seu planeta de Vida. Já o povo de exatas, como era de se esperar, não pensou muito no caso e começou a chamar o próprio planeta de Novo Planeta. O povo de humanas não conseguiu se decidir e a décima votação sobre o nome acabou em pancadaria. O quarto planeta ficou sem nome, mas era chamado carinhosamente de Congresso por quase todos os outros.

Os primeiros meses, com recurso natural em abundância, foram satisfatórios para os três planetas. Mas com o passar do tempo, as coisas começaram a complicar.

No Vida não houve avanço na área urbana. Já que ninguém conseguia arrancar um pedacinho de mato do chão. Haviam leis que proibiam o maus-tratos às plantas, inclusive.

Já no planeta de exatas, o número de suicídios era altíssimo. Não havia alegria, nem criatividade. Era tudo tão cinza, quadrado e feio, que alguns habitantes tentavam fugir para outro planeta. Mas a lei para tal transgressão, no Novo Planeta, era ouvir uma poesia.

O planeta de humanas era o menos avançado de todos. Desde a chegada da nave contendo a população, a única coisa que fizeram foi sentar no chão e fumar tudo que achavam pela natureza do local. Algumas boas poesias e textos foram criados, mas logo esquecidas, depois de uma boa festa. A falta de leis não era um problema, já que não havia crime.

Com todos esses problemas, as cabeças pensantes resolveram juntar os três planetas e formar um só, novamente. Mas somente o planeta dos ladrões, o Congresso, era grande suficiente.

Depois de meses de negociações com os habitantes do Congresso, foi decidido que todos poderiam viver ali, mas obedecendo as ordens dos habitantes originais, os bandidos.

O Congresso criaria todas as leis e, teoricamente, mandaria na população dos outros três planetas, enquanto vivessem no território. Algumas falsas eleições, para iludir a galera, foram prometidas. Para manter a ordem, sabe como é.

Somente depois de muita discussão, conseguiram fazer com que o novo planeta tivesse um nome oficial. Nome dado aleatoriamente por um rapaz de humanas que bebia Caninha 51.

O nome do novo planeta seria: Terra.